História da subcultura gótica

        Originalmente, gótico deriva-se de Godos, povo germânico considerado bárbaro que diluiu-se aproximadamente no ano 700 d.C.. Como metáfora, o termo foi usado pela primeira vez no início da Renascença, para designar pejorativamente a tendência arquitetônica, criada pela Igreja Católica, da baixa Idade Média e, por consequência, toda produção artística deste período. Assim, a arquitetura foi classificada como gótica, referindo-se ao seu estilo "bárbaro", se comparado às tendências românicas da época.

No século XVIII, como reação ao Iluminismo, surge o Romantismo que idealiza uma Idade Média. Nesse período, o termo gótico passa a designar uma parcela da literatura romântica. Como a Idade Média também é conhecida como "Idade das Trevas", o termo é aplicado como sinônimo de medieval, sombrio, macabro e por vezes, sobrenatural. Romance ou literatura gótica são utilizadas para designar este subgênero romântico, que trazia enredos sobrenaturais ambientados em cenários sombrios como castelos em ruínas e cemitérios. Assim, o termo Goticismo de origem inglesa, é associado ao conjunto de obras da literatura gótica. Posteriormente, influenciado pela literatura gótica, surge o ultrarromantismo, um subgênero do romantismo que tem o tédio, a morbidez e o dramatismo como algumas características mais significativas.

A subcultura gótica teve início no Reino Unido no início da década de 1980. Entretanto, já existiam diversos elementos que inspiraram a subcultura desde a Idade Média, como a arquitetura e a literatura. 

Os góticos são pessoas atraídas pelo mórbido e que convivem com o que a psicologia transcendental chama de sombra da personalidade, que são aspectos ocultos e escuros do indivíduo. Está relacionado com a tristeza e o sadismo. A figura do vampiro é um dos alicerces dessa filosofia e é o modelo de liberdade idealizado por essa tribo.

O nome gótico na música foi derivado de uma variedade de influências musicais do período entre o final dos anos 1960 e 1979, como krautrock, glam rock entre outros. Bandas pós-punk britânicas notáveis ​​que pressagiaram o rock gótico e ajudaram a moldar a subcultura incluem Siouxsie and the Banshees, Bauhaus, The Cure e Joy Division.

Suas tendências imagéticas e culturais indicam influências da literatura gótica, expressionismo alemão, era vitoriana, filmes de terror, fantasia sombria, vaudeville, punk, glam rock e new romantic. A cena é centrada em publicações, moda, apresentações artísticas, dança, clubes, festivais de música, boates e reuniões organizadas, especialmente na Europa Ocidental. A subcultura gótica tem gostos associados a música, estética, literatura e moda, estando associada a temas que envolvem decadência, niilismo, existencialismo, melancolia, romantismo sombrio, obscuridade, pessimismo e outros temas recorrentes na literatura gótica, carregando uma grande mistura de expressões literárias, artísticas e musicais. Mas principalmente, esse estilo trabalha com temas que se opõem aos costumes, cultura e tradições de uma determinada sociedade. 

Na subcultura gótica também pode ser encontrado literatura (poesia), o cinema, entre outras formas de manifestações artísticas e culturais mesmo que não sejam diretamente a base da subcultura que se deu origem na música. A subcultura foi influenciada por vários processos sociológicos e correntes filosóficas, literárias e artísticas como a decadência urbana, a literatura gótica, o mal do século, o expressionismo, o existencialismo, a cultura de cabaré, a geração beat e o estilo de vida alternativo.


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